Recalculando Rota numa pandemia mundial.

O contexto atual impacta diretamente todas as esferas da nossa vida. Nossos relacionamentos com pessoas que estão distante, com os nossos parceiros e parceiras de quarentena, nossa rotina de autocuidado mental e físico e a nossa vida profissional.

Tem sido muito para absorver em pouco tempo, acho que a gente precisa ser mais gentil com a gente mesmo. Essa fala vem de alguém que pode facilmente ficar trabalhando sem parar, se jogarem um penico e um saquinho de amendoim pra ela. Eu também estou aprendendo a me escutar e de tempos em tempos eu dou aquele “Relaxa loca, respira e vamos.”

É um momento de sermos gentis com os outros também, né? Uma das palavras que têm surgido muito dentro desse novo contexto, é solidariedade. Eu que curto um Google Trends para ficar espantada com a humanidade, vi que a palavra “solidarity” está em pico de crescimento como termo de pesquisa no Google Search, desde 08 de março. No mundo inteiro, inclusive nos Estados Unidos. Veja só. Nem tudo é chuva de chorume.

Eu tenho pensado muito em ansiedade, em medo e nos planos que todos nós fazemos e precisamos nos desapegar, por que a onda agora é recalcular, esperar, nadar de braçada lenta. E naturalmente, se colocar em questão. O nome da profissão para o que eu faço, de acordo com o mundo da publicidade é planejamento estratégico. O que implica duas tarefas muito complicadas agora. Uma, que é o processo de refletir sobre as atividades necessárias para atingir um determinado objetivo (um futuro fixo), e outra, que eu vejo como a capacidade de fazer boas escolhas, com a quantidade de informação disponível no momento. Ambos importantes, mas a dinâmica mudou.

Eu sinto como se agora a gente fosse um personagem de jogo de tabuleiro, com um gigante chacoalhando a mesa. A todo momento a gente adapta o plano e é importante não parar, não deixar de refletir e agir. A vida, em si, não para.

O mesmo serve para a estratégia. É importante se atualizar e ter as últimas informações para evitar tomar decisões com dados errados. Se ficarmos muito desconectados do quadro atual, corremos o risco de não ter o tom certo, de sermos negligentes e parecermos oportunistas. É o momento de conhecer o real valor do seu negócio, do porquê você faz o que você faz, de experimentar coisas novas e de compreender o que está acontecendo na vida dos seus clientes, buscando entender os impactos dessa mudança.

E hoje eu estou profundamente mexida com isso, como se o gigante do tabuleiro tivesse pesado a mão num ecstasy anfetaminado, mas estou muito consciente também de que o olhar é pra dentro e de que sozinhos não vamos sair dessa. Precisamos trocar mais, nos ajudar mais e ter empatia com o medo do outro. A pororoca de bad trip é grande, mas estamos aprendendo também sobre uma coisa fundamental: que a gente não está no controle e que a vida é impermanente mesmo.

Para finalizar, aqui os últimos dois podcasts que eu ouvi hoje e recomendo muito:

O podcast 20 da Laurinha Lero: Negação é importantíssima ao bem-estar, que é chuva de pérolas, com destaque para:

“O verdadeiro confinamento é a expectativa social.”

E o podcast #32 / tempos de pandemia #2: medo e saúde mental, onde Marcela Ceribelli entrevista a maravilhosa psicóloga e podcaster Louise Madeira.

Vamos que vamos !

(mas tudo bem se der vontade de ouvir Avril Lavigne, comendo fandangos sabor presunto em posição fetal, todo mundo tem seus dias).

Paris-based brand strategy consultant. 🔥 I write about the new generation of entrepreneurs and the authentic strategies behind their businesses.

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